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NÃO ME FALE SOBRE RECOMEÇOS

NÃO ME FALE SOBRE RECOMEÇOS | 2016 | 70 min

Anotações audiovisuais sobre o indivíduo e o estado. O filme se utiliza das mais variadas formas de material encontrado para conceber um jogo de citações verbais e imagéticas que discorre sobre conceitos históricos de arte, cinema e política a partir de um imperativo da imagem.

É notável a delicadeza com que Tuoto lida com um passado ainda tão presente, e a sutileza da dialética que estabelece entre imagem e som. A forma como o realizador repensa, por exemplo, a estrutura do off, não optando mais pela voz do realizador a guiar a travessia pelas imagens, mas escolhendo diferentes vozes e discursos para embalar e endossar suas reflexões, estabelece um urgente lampejo sobre o presente ao unir o que se diz com o que se mostra sobre ele. A polissemia dos discursos é entrelaçada no tempo das imagens, desconstruindo a sociedade contemporânea.
Diego Franco, curador da Mostra do Filme Livre 2017

Humanity’s library of images and its ultimate frailty. Of the importance of representation and offering a body to memories and impulses as a form of resistance, the possibilities of its expression and looking for a center to anchor them. A film of searching for some form of freedom, a road movie whose road is a series of visual and audio fragments. It sincerely believes that images even when they are cheap and mercantile can offer some form of anarchic purge and that belief is moving.”
Filipe Furtado, crítico de cinema

Não Me Fale Sobre Recomeços é a metalinguagem do amalgamento: unir imagens para discorrer sobre a própria significação da montagem, esta que é a ligadura do cinema. Produção de significados novos, experiência sensorial do encadeamento de vozes discursivas e formatos, jogo de questionamento, afirmação e assertiva pela dúvida, sim, mas sobretudo o concentrado de um desejo escancarado o tempo inteiro, um tipo de ultimato urgente para a percepção daquilo que nos une.
Felipe Leal, Revista Janela

Imagens em fluxo. Fragmentos. Num primeiro nível, Não Me Fale Sobre Recomeços, de Arthur Tuoto, parece tratar do bombardeio de imagens que regula a existência no mundo contemporâneo. Cinema, televisão, registros com câmeras de celular, YouTube, videogames. Mas o filme também fala de memória, de seu papel na constituição da identidade humana. E memória, ao menos em seu estado bruto, é fragmento.”
Wallace Andrioli, crítico de cinema

É, em sua totalidade, uma análise sobre o poder da arte e de sua linguagem, desde a criação (e destruição) de narrativas ao potencial de escapismo trazido por ela. Mas Não Me Fale Sobre Recomeços mostra a arte também como manifestação de resistência, de revolta – as pichações e demais formas de “vandalismo” selecionados por Tuoto são algumas das exteriorizações artísticas mais interessantes do filme. Tuoto consegue, então, fazer de seu filme não só uma crítica, mas uma amálgama de imagens que geram reflexão, reinvenção e transformação. Não Me Fale Sobre Recomeços é anárquico por sua forma, preciso por seus apontamentos e extremamente eficiente por fazer tudo isso por meio de uma profusão de imagens muito bem encaixadas, sem desperdícios ou excessos.”
Matheus Fiore, Plano Aberto

Reality only being accessible through abstraction, seeing as an act of providing consistency to the impermanence of memory. Matter is only attainable through light and idea is only reachable through montage, so form is the only conceivable reconciliation between the abstract and the tangible. A benjaminian take on schiller’s play drive: searching for integration through resistance. And to resist is to remember.”
Diogo Serafim, crítico de cinema

O produto final de qualquer imagem. Não em uma projeção ou na reprodução, mas na tentativa de assimiliação de quem assiste. E se hoje tudo está constantemente sendo registrado (de uma guerra civil à mais estúpida abertura de loja de todos os tempos) essa assimilação se torna mais difícil e muitas vezes mais confusa. A gameplay de Tony Hawk tem tanto peso imagético quanto John Wayne. Parece que antes, no clássico, no preto e branco, se filmava apenas o que estava preparado para ser filmado. O cinema começa a morrer quando se entrega uma câmera pra todas as casas e pra todos os públicos. Marca o registro do que nunca deveria ser registrado, ou pelo menos do que não gostariam que fosse registrado (aí vem Bresson, as torturas, a força policial vista da câmera). Não é mais sobre encantamento, sobre ilusão. É sobre qualquer coisa que acontece e, inevitavelmente, algumas geram a urgência por destruição e revolta. Um produto final da imagem: gerar anarquia.
João Pedro Faro, crítico de cinema