Aquilo que Fazemos com as Nossas Desgraças

AQUILO QUE FAZEMOS COM AS NOSSAS DESGRAÇAS | 2014 | 60 min

Formado por imagens apropriadas de diversos suportes, o filme narra a fábula dos Monstros, descrevendo a condição humana a partir de uma percepção trágica e desoladora.

If George Romero made Godardian found footage essay films they would probably be a lot like this one.
Filipe Furtado, crítico de cinema

A opção da conservação generalizada, da não fricção e do não esgarçamento das imagens, da montagem como posicionamento  dos materiais em segurança uns dos outros e da língua como soberana coloca Aquilo que Fazemos com nossas Desgraças num  espaço próprio dentro do domínio das apropriações.
Juliano Gomes, Revista Cinética

Aquilo Que Fazemos com as Nossas Desgraças, do paranaense Arthur Tuoto, apropria-se de um áudio de Jean-Luc Godard e Anne-Marie Miéville, ao qual Tuoto superpõe imagens que não colheu, mas que transforma em suas. O texto, em francês, fala nos monstros. E quem são? O sistema, o poder político e econômico, tudo aquilo que objetaliza e consome os homens. A montagem colhe imagens de revolta – cena de violência nas manifestações no Rio e em São Paulo. Volta e meia a tela fica escura e os narradores dizem que vão contar uma história. É fascinante.
Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

Iconoclasta ‘por provocação’, Tuoto contraria as expectativas do público e interrompe a saturação de imagens típica do mundo contemporâneo. Longos momentos de tela preta ou ocupada por um texto-legenda sucedem imagens em baixa resolução e vídeos de Britney Spears ou das Pussy Riot. Fica evidente a articulação entre um pensamento sobre a política e a economia capitalista, e a política e a economia da imagem.”
Luciana Romagnolli, Gazeta do Povo

Aquilo que Fazemos com as nossas Desgraças parte do cinema até chegar num desgaste das imagens, apresenta um desejo de desmontar e por vezes parodiar um discurso corrente de contemporaneidade. (…) Aqui, planos avulsos interessam sempre, nem que seja somente por seu significado, e a articulação de Tuoto encontra nestas imagens um dinamismo próprio.”
Filipe Furtado, Revista Cinética

“E é esta produção menos mineradora da identidade brasileira; e mais fleumática, sensorial e internacionalizante, voltada para uma expressão artística (e naturalmente política) alheia a conexões nacionais de pertencimento, que caracteriza Aquilo que Fazemos com as Nossas Desgraças.”
Alisson Avila, FUSO – Anual de Vídeo Arte Internacional de Lisboa

Aquilo que fazemos com as nossas desgraças atinge uma zona de instabilidade bastante potente ao promover encontros e o desfazimento de uma centralidade rumo à proliferação de pontos de vista. Se o filme pode ser tratado como um trabalho de um homem só, parece ser acima de tudo um filme em que os próprios se quebram, o um só e o cada um se misturam, para dar espaço a uma impropriedade, em torno da qual algo de comum pode se constituir. Essas imagens reunidas na mesa de montagem passam a compartilhar um território e deixam de ser de um só para potencialmente dizer respeito a todo mundo.
Érico Araújo Lima, Revista Sobrecinema

Aquilo que Fazemos com as nossas Desgraças é um ensaio visual à moda do cinema de Godard, Debord e Farocki, uma relexão sobre a natureza e a função da imagem na contemporaneidade, todo feito por uma única pessoa, e quase todo realizado a partir de “found footage”, ou seja, material “de arquivo” seja de imagem ou de som. Se muito se fala sobre o jovem cinema contemporâneo brasileiro a partir desse espírito de coletividade, o cinema rigoroso e solitário de Tuoto marca uma notável contribuição a esse cenário, mostrando a viabilidade da realização audiovisual por uma única pessoa, dadas as possibilidades da tecnologia digital e de sua disseminação nas redes virtuais.
Marcelo Ikeda, Cinecasulofilia

Num discurso inflamado e inflado de referências, que constitui um retrato histórico sintaticamente constituído, acerca da semântica das imagens e dos sons, nesse momento capital da história da humanidade. Tuoto fala de um novo momento, onde cada pessoa é, ao mesmo tempo, produtor e receptor de imagens. Nisso, constitui-se uma análise sensorial e racional, que vê onde a imposição do capital se configura em toda uma forma de uma sociedade ver o mundo.
Julio Cruz, Cinema Proletário

Pelo trabalho de ressignificação de textos e imagens apropriados, levando o espectador a uma reflexão política sobre o mundo contemporâneo através da forma de um potente filme-ensaio, o júri confere o Grande Prêmio Cine Esquema Novo 2014 para o filme ‘Aquilo que Fazemos com as Nossas Desgraças’ de Arthur Tuoto.
Justificativa do Júri para o Grande Prêmio Cine Esquema Novo 2014